Conteúdo mostra que mais de R$ 850 são gastos em taxas obrigatórias antes mesmo do início das aulas, questionando promessas de redução de 80% no valor total da habilitação.
Um vídeo que circula nas redes sociais tem chamado atenção ao abordar o verdadeiro custo da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e questionar se o preço considerado “caro” é, de fato, responsabilidade das autoescolas. A produção é do presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores de Minas Gerais (Sindicfc-MG) e apresenta um cálculo detalhado que mostra que parte significativa do valor pago pelo candidato corresponde a taxas e exames obrigatórios, cobrados antes mesmo do início do processo de aprendizagem.
Segundo o vídeo, apenas com as taxas do Detran/MG (R$ 331,86), a licença para aprendizagem de direção (LADV – R$ 82,90) e os exames médico e psicológico (R$ 443,70), o candidato já desembolsa cerca de R$ 858,53. Esses custos antecedem qualquer pagamento à autoescola.
A partir daí, são acrescentados os valores médios do curso teórico (R$ 200) e das 20 aulas práticas (R$ 1.400), o que eleva o investimento total aproximado a R$ 2.460. O vídeo então contesta a promessa inicial do ministro dos Transportes, Renan Filho, de reduzir o valor da CNH em até 80%, o que deixaria o custo em torno de R$ 491 — quantia inferior ao total das próprias taxas obrigatórias.
O conteúdo levanta uma discussão sobre a inviabilidade de promessas desse tipo, já que mesmo em um cenário com menos aulas obrigatórias, o candidato precisaria aprender a dirigir com segurança para ser aprovado no exame prático, sob risco de gastar ainda mais com novas taxas e reprovações.
Outro ponto destacado é a segurança no trânsito. O vídeo questiona se seria possível oferecer aulas práticas a R$ 70, utilizando veículos com duplo comando, seguros e devidamente credenciados. O argumento é que a desvalorização da formação de condutores compromete não apenas a profissão dos instrutores, mas a segurança de todos que circulam nas vias.
A mensagem final reforça que o debate sobre o custo da CNH é legítimo e necessário, mas que reduções artificiais, sem revisão de taxas e sem medidas reais de desburocratização, podem colocar em risco a qualidade da formação de novos motoristas.
“É preciso discutir formas de tornar o acesso à habilitação mais justo, mas sem abrir mão da segurança e da qualidade da formação. O problema não está nas autoescolas, e sim na estrutura de custos e exigências impostas ao processo de habilitação”, afirma o presidente Sindicfc-MG, Alessandro Dias.