Falta de diálogo, dificuldades no atendimento, limitações na realização de exames e problemas estruturais estão entre os desafios que o novo governo encontrará na área de trânsito.
A eleição do senador Cleitinho Azevedo para o Governo de Minas Gerais ocorre em um momento em que a gestão dos serviços de trânsito no estado enfrenta questionamentos sobre a qualidade do atendimento ao cidadão e a eficiência dos processos de formação de condutores.
Nos últimos anos, o Detran-MG passou por profundas transformações administrativas, especialmente após a transferência de suas atribuições da Polícia Civil para a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), em 2023, e a posterior criação de uma autarquia própria, em 2025.
Entretanto, na avaliação do presidente do Sindicfc-MG, Alessandro Dias, essas mudanças não foram acompanhadas dos avanços necessários na prestação dos serviços à população. “Um dos principais problemas é a dificuldade de comunicação com o órgão. Existem os canais oficiais de atendimento, mas faltam mecanismos efetivos para solucionar demandas específicas. E isso provoca transtornos para os cidadãos e para as empresas”, afirmou.
Vagas para exames é insuficiente
Outro ponto preocupante é a oferta insuficiente de exames teóricos e práticos em diversas regiões de Minas Gerais. As limitações orçamentárias e operacionais impostas às bancas examinadoras têm restringido a quantidade e a frequência dos exames, fazendo com que candidatos aguardem por períodos prolongados para concluir seus processos de habilitação.
“Essa realidade é especialmente preocupante nos municípios do interior, onde a população enfrenta mais dificuldades de acesso aos serviços públicos e, em determinadas localidades, precisa se deslocar para outras cidades para realizar procedimentos relacionados à habilitação”, analisa o presidente Alessandro.
Há ainda uma contradição que merece atenção: grande parte dos serviços prestados pelo Detran-MG é remunerada diretamente pelos cidadãos, mediante o pagamento de taxas estaduais. Mesmo assim, o recolhimento desses valores não tem assegurado, em todas as regiões, atendimento com a regularidade, a eficiência e a estrutura esperadas.
Falta de diálogo com autoescolas eleva preocupação
Mas talvez o problema mais significativo esteja na relação institucional entre o poder público e os setores que efetivamente participam da formação de novos condutores.
A ausência de um diálogo permanente, técnico e estruturado com os CFCs e demais entidades envolvidas dificulta a identificação dos problemas, o planejamento de soluções e a evolução dos serviços prestados à sociedade.
“É preciso compreender que o processo de habilitação não pode ser tratado apenas como uma atividade administrativa ou de arrecadação. Trata-se de uma política pública diretamente relacionada à educação para o trânsito, à segurança viária, à mobilidade e ao desenvolvimento econômico”, conclui Alessandro.
Com a eleição de Cleitinho Azevedo para governador, abre-se um novo ciclo administrativo e a oportunidade de reavaliar as prioridades da gestão estadual de trânsito. O Sindicfc-MG, representante legal das autoescolas mineiras, deseja ao novo governador uma gestão de sucesso e está sempre à disposição para contribuir com o aprimoramento dos assuntos ligados ao trânsito no estado.
